quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Na realidade, o Presidente está a comportar-se como um destabilizador institucional permanente. Das duas uma: ou Cavaco Silva está a ser sincero em toda esta novela e então o seu grau de paranóia é bem superior ao que se julgava; ou está a tentar manipular opinião pública num assunto de uma enorme gravidade e teremos de concluir que o país colocou em Belém um homem perigoso"

Daniel Oliveira in http://arrastao.org/

Santana vai à caça


Cartoon de Henrique Monteiro

Quem não tem cão...

Sócrates procura ministro que seja bom negociador


(...) O próximo ministro dos Assuntos Parlamentares será o elo de Sócrates a S. Bento e um conciliador capaz de negociar "com todos os partidos " da Esquerda à Direita, que seja leal às directrizes emanadas da residência oficial do primeiro-ministro, muitas vezes, de rajada.
"Deverá ter grande capacidade de negociação, ser um mediador e capaz de estabelecer consensos, mesmo em situações de muita tensão", refere ao JN o politólogo do PS Pedro Adão e Silva.
(...) exigirá do representante do Executivo em S. Bento "um jogo de cintura" permanente e uma natureza sociável e cordial.
"Antes de ser ministro, Augusto Santos Silva tinha um trato afável, mas agora" - principalmente depois de ter dito que era preciso "malhar na Direita" - "é-lhe associada uma imagem mais dura que não é compaginável com a pasta (...)"
(...) Também com grande experiência parlamentar, Francisco Assis poderá ser o escolhido. "Não veio de Bruxelas para ficar no hemiciclo a olhar o tecto" (...)
(... )

ALEXANDRA MARQUES in http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1376300
Imagem: http://1.bp.blogspot.com/_KNC56TNaMSQ/R1B1xTr5-aI/AAAAAAAAAKI/8YLZGKtDJgQ/s1600-R/030409.gif

Cavaco Silva abre conflito institucional

"Às 20 horas, zero minutos e 50 segundos de ontem, terça-feira, Cavaco Silva começou a abrir um conflito institucional entre a Presidência da República e o PS, a poucos dias de ter de indigitar o mesmo primeiro-ministro para governar. "

ANA PAULA CORREIA in JN
Foto: http://3.bp.blogspot.com/_bFxY7Qn2HXs/SeuAOv9PCQI/AAAAAAAAARc/M0CcnD_STrk/s320/cavaco_socrates.jpg

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Será para sair em grande?

Manuela quer fazer campanha com Santana em Lisboa

Já que não conseguiu livrar-nos do Sr. 6º Mais Sexy do Mundo, tenta agora impedir a vitória do Sr. Ex Mais Charmoso e Conquistador da política Portuguesa!
Será assim o seu primeiro, e último, verdadeiro contributo para um futuro mais promissor da nossa República.

Uma, e outra, e outra vez, as vozes de quem faz a escola pública


(...)

Quatro anos do triunvirato Mª Lurdes Rodrigues - Valter Lemos - Jorge Pedreira, resumem-se a isso. Resume-se a duas ideias centrais: primeiro, uma escola organizada como uma cadeia de comando capaz de produzir, rapidamente, resultados "politicamente" simpáticos para quem governa; e segundo, uma classe docente domesticada pelo medo e pela concorrência interpares, que cumpra ordens sem pinga de crítica, e saia baratinha na factura salarial do Ministério da Educação (ME). Toda a arquitectura legislativa, toda a orientação política do ME seguiu neste sentido. Modelo de avaliação, modelo de gestão, estatuto do aluno, e o Magalhães para ajudar à festa...

(...)



Ana Drago, Deputada



ler mais em: http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=12279&Itemid=67

Costa vs Santana


"Às vezes, mais vale não fazer do que fazer mal feito. O doutor Santana Lopes é especialista em fazer mal feito", acrescentou.
Segundo António Costa, o negócio da permuta dos terrenos dá razão à máxima "quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos".

António Costa in http://jn.sapo.pt/eleicoes/autarquicas2009/Interior.aspx?content_id=1375808

Cavaco usou escutas para chamar Sócrates a Belém


O Presidente da República já convocou José Sócrates para o convidar a formar governo. Cavaco dirigiu-se ao boneco do chefe índio de madeira que tem no seu gabinete (e onde o Presidente sempre desconfiou que tinha sido instalada uma escuta) e disse “Alô, alô? Eu sei que vocês estão aí. Digam lá ao Sócrates se pode cá vir na quinta-feira. Mas da parte da manhã porque à tarde tenho dentista.”



Com a crise, Cavaco mandou apertar o cinto na presidência e tem poupado somas consideráveis em telecomunicações nos seus contactos com o Governo, ora falando para a escuta do chefe índio, ora para a outra, no pavão metálico que faz bip-bip, em frente à sua janela.


Ao Sócrates, o Senhor Pinto de Sousa!


"Sócrates, o negociador? Isso seria como pedir ao Conde Drácula: 'A partir de agora, só sumos naturais, se faz favor'".

João Miguel Tavares, "Diário de Notícias", 29-09-2009

Um presidente em ponto morto


No dia 24 de Agosto escrevi este parágrafo: "Há momentos em que a política se transforma num exercício de loucura, irresponsabilidade e estupidez. Nessas alturas há poucas coisas a fazer: rir, chorar, emigrar ou aguardar que alguém reponha a normalidade. No caso que nos entreteve esta semana, só há uma pessoa que pode fazer regressar essa normalidade: o Presidente da República. Estranhamente, ninguém o viu ou ouviu esta semana". (...)




Falará hoje! Finalmente! Espero consciente e obediente em frente ao televisor!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Programa de Governo

"Um programa de Governo vale o que vale. Pouca gente o lê, como todos sabemos. Mas representa um compromisso, que é uma garantia importante para os eleitores, relativamente à futura governação. "

Por Mário Soares in Diário de Notícias
Foto:
http://ipsnoticias.net/fotos/Mario_Soares.jpg

O Watergate Português


(...)

A primeira grande diferença entre a complexa história de espionagem americana e a nossa soberba comédia talvez seja o facto de, nos Estados Unidos, as escutas existirem mesmo. Parecendo que não, numa história de escutas, isso faz alguma diferença. Em Portugal, até ver, as escutas são imaginárias, o que confere à história este carácter encantadoramente rocambolesco - e muito português: os americanos agem, colocam escutas, espiam mesmo; os portugueses imaginam que estão a ser escutados, fantasiam sobre espionagem, convidam os jornais a efabularem com eles. Nos Estados Unidos, o presidente mandou colocar escutas na sede dos seus adversários políticos e foi apanhado. Demitiu-se. Em Portugal, a fazer fé na imprensa, o presidente mandou publicar uma suspeita acerca de escutas colocadas na sua residência oficial e foi apanhado. Demitiu o assessor de imprensa. Faz sentido. Nos Estados Unidos era a sério. Cá, era a fingir. Não estava a valer.

(...)

Chegou, viu...


Cartoon de Henrique Monteiro

A Lucidez na Incerteza




Não vivemos tempos normais. Como a normalidade é o pressuposto das sondagens suspeito que os resultados eleitorais nos trarão surpresas. Em que consiste a normalidade? O clima de insegurança generalizada sobre a sustentabilidade do nível de vida que se vem deteriorando desde o início da década e que sofreu abalos acrescidos nos últimos tempos: primeiro, com os ataques ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) por parte do Governo de Durão Barroso e do actual durante o período Correia de Campos; e, segundo, com a precarização dos direitos dos trabalhadores (Código do Trabalho) e a eclosão da crise económica com o consequente aumento do desemprego. (...)




PS deixa fugir a maioria

















Rodrigo

A Morte de Sócrates...


Há um quadro famoso do francês Jacques-Louis David, pintado em 1787, que retrata a morte de Sócrates, o filósofo. No quadro, aquele que é considerado o pai da filosofia ocidental, depois de condenado à morte por razões essencialmente políticas (relacionadas com a derrota de Atenas face a Esparta), discursa convictamente perante os seus discípulos desanimados. Um deles, que lhe entrega a cicuta (o veneno que, de acordo com a lei, o matará), leva uma mão à cara como se não pudesse crer no destino do seu mestre. Sócrates morre convicto das suas ideias, mas desprezado pelos seus concidadãos. (...)


Henrique Monteiro, colunista do Expresso

SE - Rudyard Kipling


Se és capaz de manter tua calma, quando,

todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.

De crer em ti quando estão todos duvidando,

e para esses no entanto achar uma desculpa.


Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

e não parecer bom demais, nem pretensioso.


Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,

de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.

Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,

tratar da mesma forma a esses dois impostores.


Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,

em armadilhas as verdades que disseste

E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,

e refazê-las com o bem pouco que te reste.


Se és capaz de arriscar numa única parada,

tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

resignado, tornar ao ponto de partida.


De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

a dar seja o que for que neles ainda existe.

E a persistir assim quando, exausto, contudo,

resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!


Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,

e, entre Reis, não perder a naturalidade.

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,

se a todos podes ser de alguma utilidade.


Se és capaz de dar, segundo por segundo,

ao minuto fatal todo valor e brilho.

Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,

e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling


Tradução de Guilherme de Almeida


retirado de Ré em causa própria - o blogue que fala de direito e de linhas tortas.

domingo, 27 de setembro de 2009

Mendigos e Altivos


Deus é grande! – respondeu o mendigo. – Mas que interessam os negócios. Ele há na vida tantas alegrias. Não estarás tu a par do caso das eleições?
- Não, nunca leio os jornais.
- Esse não vinha nos jornais. Contaram-mo.
- Diz lá então.
- Ora ouve! O caso passou-se há pouco tempo, numa aldeola do Baixo Egipto, durante as eleições para a junta de freguesia. Quando os funcionários do governo abriram as urnas, notaram que na maioria dos boletins de voto estava escrito o nome Bargute. Ora os ditos funcionários do Governo não conheciam tal nome, que não figurava na lista de nenhum partido. Inquietos, logo se puseram à cata de informações; e acabaram por saber, pasmados de todo, que Bargute era o nome de um burro por quem toda a gente da aldeia nutria muita estima, por via da sabedoria do animal. Quase todos os moradores tinham votado nele. Que me dizes tu a esta história?
Gohar respirou com júbilo; sentia-se extasiado. “São ignorantes e iletrados”, disse para consigo, e “no entanto acabam de fazer a coisa mais inteligente conhecida no mundo desde que há eleições.”
(…)
É claro, não foi eleito. Estás tu a ver, um burro de quatro patas! O que eles queriam, lá os do governo, era um burro só de duas patas. (...)

Albert Cossery, Mendigos e Altivos, Antígona